Metade dos adultos pobres tem trabalho. Habitação potencia carência

Metade dos adultos pobres tem trabalho. Habitação potencia carência

No mercado de trabalho, está praticamente metade dos adultos pobres, segundo o relatório da EAPN Portugal - Rede Europeia Anti-Pobreza. A população em risco diminuiu para menos de dois milhões, mas a pobreza persistente cresceu.

RTP / Adicionar como fonte informativa
Foto: Filipa Venâncio - RTP

De acordo com o mais recente relatório, a que o Jornal de Notícias teve acesso, pela primeira vez numa década, as pessoas em risco de pobreza ou exclusão social recuaram para menos de dois milhões, em 2025. Mas a taxa de pobreza persistente - que já existia em pelo menos dois dos três anos anteriores - cresceu para 9,5%, afetando cerca de um português em cada dez.

Ter emprego não é suficiente para escapar à pobreza e as despesas com a habitação fazem aumentar as situações de carência. A análise confirma ainda que quase metade dos pobres não recebe apoios.

Os dados referem-se a 2025 e mostram que 47,6% dos adultos em pobreza estão empregados. Cerca de 33% trabalham por conta de outrem e 14,4% por conta própria. O desemprego continua associado a um maior risco de pobreza.

A taxa global de pobreza no trabalho está em 8,6%, acelerada e instabilidade contratual. É de 10,7% nos trabalhadores com contratos temporários, 19% nos subempregados a tempo parcial e de 20,5% para quem trabalha há menos de um ano.

A pobreza em trabalhadores é também marca dos estrageiros que vêm de fora da União Europeia, que enfrentam uma pobreza laboral de 19,5%.

As famílias monoparentais ativas são o grupo mais crítico. Neste segmento, a taxa disparou de 22,1% para 26% e com o risco de pobreza a subir para 40,7% (duas vezes mais a média nacional) e a pobreza monetária a chegar os 35,9%.

Os adolescentes viram o risco agravar-se para 24%. Entre os idosos, desceu para 20,8%.

O relatório refere a asfixia que o preço da habitação implica. Eleva a pobreza real de 15,4% para 26,8%. Estas despesas são “um amplificador persistente da pobreza e da exclusão, afetando com particular gravidade as novas gerações e sugerindo a necessidade de políticas setoriais” para habitação “a preços acessíveis”.
Descida anual
Na análise geral do ano que passou, pela primeira vez desde 2015, as pessoas em risco de pobreza recuaram para menos de dois milhões, numa taxa de 18,6%, continuando a descida anual de 1,1 pontos percentuais. A pobreza monetária desceu para 15,4%, num contexto de aumento do rendimento mediano, que elevou o limiar de pobreza para 723,25 euros mensais. Portugal está abaixo da média da União Europeia (16,3%) e a meio da tabela.
45,4% da população pobre não recebia em 2025 qualquer rendimento de prestações sociais.
A coordenadora do estudo refere ao JN que o risco de a pobreza aumentar existe, devido ao aumento do custo de vida este ano.

Ao mesmo tempo, a pobreza persistente é preocupante. O risco sobre de 7,1% em 2024 para 9,5% em 2025. No mesmo sentido está um outro estudo publicado esta quarta-feira.

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