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Metade dos adultos pobres tem trabalho. Habitação potencia carência
No mercado de trabalho, está praticamente metade dos adultos pobres, segundo o relatório da EAPN Portugal - Rede Europeia Anti-Pobreza. A população em risco diminuiu para menos de dois milhões, mas a pobreza persistente cresceu.
De acordo com o mais recente relatório, a que o Jornal de Notícias teve acesso, pela primeira vez numa década, as pessoas em risco de pobreza ou exclusão social recuaram para menos de dois milhões, em 2025. Mas a taxa de pobreza persistente - que já existia em pelo menos dois dos três anos anteriores - cresceu para 9,5%, afetando cerca de um português em cada dez.
Ter emprego não é suficiente para escapar à pobreza e as despesas com a habitação fazem aumentar as situações de carência. A análise confirma ainda que quase metade dos pobres não recebe apoios.
A taxa global de pobreza no trabalho está em 8,6%, acelerada e instabilidade contratual. É de 10,7% nos trabalhadores com contratos temporários, 19% nos subempregados a tempo parcial e de 20,5% para quem trabalha há menos de um ano.
A pobreza em trabalhadores é também marca dos estrageiros que vêm de fora da União Europeia, que enfrentam uma pobreza laboral de 19,5%.
Os adolescentes viram o risco agravar-se para 24%. Entre os idosos, desceu para 20,8%.
Descida anual
Na análise geral do ano que passou, pela primeira vez desde 2015, as pessoas em risco de pobreza recuaram para menos de dois milhões, numa taxa de 18,6%, continuando a descida anual de 1,1 pontos percentuais. A pobreza monetária desceu para 15,4%, num contexto de aumento do rendimento mediano, que elevou o limiar de pobreza para 723,25 euros mensais. Portugal está abaixo da média da União Europeia (16,3%) e a meio da tabela.
45,4% da população pobre não recebia em 2025 qualquer rendimento de prestações sociais.
A coordenadora do estudo refere ao JN que o risco de a pobreza aumentar existe, devido ao aumento do custo de vida este ano.
Ao mesmo tempo, a pobreza persistente é preocupante. O risco sobre de 7,1% em 2024 para 9,5% em 2025. No mesmo sentido está um outro estudo publicado esta quarta-feira.